Paraíba pequenina

vou falar da Paraíba
das coisa que tem aqui
do sertão ao litoral
do brejo ao cariri
terra de fertilidade
fico doido de saudades
quando ouço falar em ti


Coremas tem muita água
terra que me viu nascer
Campina grande é grande
nunca para de crescer
onde muitos sertanejos
realizaram os desejos
de estudar para vencer


Terra de bonita praias
onde o sol nasce primeiro
o ponto mais oriental
no nordeste brasileiro
onde as praias são mais belas
enfeitadas pelas velas
do nosso herói jangadeiro


O sisal e o abacaxi
de lá se faz exportação
o ouro branco floresce
no capucho do algodão
tem açúcar em quantidade
pra atender mais da metade
do consumo da nação


No sertão tem vaqueijada
que é a festa do vaqueiro
em Campina todo ano
é ponto de forrozeiro
pra fazer animação
e dançar o maior são João
do nordeste brasileiro


Quem visita a Paraíba
juro que não esquece mais
tem a capital mais verde
entre todas capitais
seu passado conservado
seu presente adiantado
nos termos nacionais


A cultura está presente
do sertão ao litoral
poetas e violeiros
que não baixa a sua moral
cantores e compositores
artesões e escritores
completam o quadro geral


Escolas e faculdades
as melhores do nordeste
oferecendo os cursos
formando os cabras da peste
pra trabalhar pelo mundo
sem esquecer um segundo
o lugar de onde vieste


Não sei porque vim embora
será obra do destino
será que não cabe mais um
lá não é tão pequenino
mais mesmo vivendo ausente
carrego sempre na mente
orgulho de ser nordestino
                        

Vou envelhecer fazendo o que fiz na mocidade


Hidroelétrica de Balbina. Manaus-Am 1986.

Me lembro do dia a dia
quando morei no sertão
tomar banho de cacimbão
toda manhã eu fazia
tudo era alegria
não pensava na idade
hoje só resta a saudade
e o tempo tá correndo
vou envelhecer fazendo
o que fiz na mocidade

Do meu tempo de rapaz
não é muito diferente
estou muito consciente
do que fiz  há tempo atraz
o que faço ninguém faz
pois não sinto essa idade
não invejo a mocidade
que do pesado está correndo
vou envelhecer fazendo
o que fiz na mocidade

Acordo de manhã cedo
vou direto pro roçado
pois no cabo do arado
corto terra sem ter medo
todo dia o mesmo enredo
pra mim é felicidade
não reclamo da idade
de noite não gemendo
vou envelhecer fazendo
o que fiz na mocidade

Galope a beira do fim

Eu queria viver a alegria
desses tempos que passam num segundo
velejar sobre o mares desse mundo
sem passar pelas ilhas da agonia
sassiar os desejos de Maria
purificar toda água desse mar
deixar uma semente em meu lugar
pra progredir e fazer um novo tempo
sem rascunho e sem cópias dos invento
que os homens da terra querem usar

Quem me dera se eu fosse um soberano
Pra prender e castigar os maus feitores
que se passam nesta vida por doutores
e comete o mesmo erro a cada ano
no avanço da ciência um engano
onde o homem passa anos a pesquisar
a maneira mais fácil de acabar
com essa grande maravilha natureza
procurando sua morte ou sua defeza
nos princípios de uma guerra nuclear

Veja bem como e linda a natureza
mas o homem é seu maior inimigo
se alimenta, respira e faz abrigo
e desfruta de sua grande riqueza
em troca de sua maior beleza
lhe desmata, toca fogo e vai embora
destruindo aos pouquinho a fauna e a flora
como se fosse ele quem a criou
desafiando as leis do criador
e pensa que niguém o ignora

Qualquer dia me sinto satisfeito
quando o homem conseguir se acabar
sei que vamos todos juntos pelo ar
numa nuvem compacta sem defeito
transformados em partículas por efeito
de um débil mental sem conciência
em querer dominar toda ciência
existentes pela lei da natureza
sabendo que no meio dessa grandeza
somos todos iguais por procedência

São Miguel Paulista

São Paulo abriga o estrangeiro
São Miguel o nordestino
eu também sou imigrante
por força do meu destino
é difícil comparar
São Miguel com o meu lugar
pois São Miguel é divino

Un pedaço do nordeste
assim posso avaliar
quem chega não quer sair
quem sai pensa em voltar
quem ficou não foi embora
quem saiu pouco demora
e em São Miguel vem morar

Bairro de miscigenação
todo credo e tada raça
acessível por várias vias
que se encontram na praça
grande centro comercial
tem o seu próprio jornal
que se distribui de graça

Encotrei a nordestina
que eu sempre procurava
na Pires encontrei o rio
que no meu sonho eu nadava
na serra dourada encontrei
o ouro que procurei
pra enfeitar quem amava

Sítio Catolé - Onde nasci

Uma casa sem varanda
Pequena porém singela
Um curral cheio de gado
Um cavalo bom de cela
Nove irmãos para brincar
Açude bom pra pescar
Riacho pra tomar banho
Duas mangueiras frondosas
Seis ovelhas mimosas
E um jumento castanho

Um pé de goiaba vermelha
Dois pés de açafrão
Um pé de graviola
Pertinho do cacimbão
Vários pés de oiticica
Onde em sua sombra fica
Seus frutos pra ser colhidos
Uns vintes pés de bananas
Umas torceiras de canas
E um cachorro escondido

Um baixio bom de arroz
Milho, fava e feijão
Bastante pasto pro gado
Terreno bom pra algodão
Que em um ano de envernada
Meu pai colhia carrada
Da semente que plantou
O velho nunca foi mole
Sozinho criou a prole
Só Deus do céu lhe ajudou

Onze filhos ali nasceram
Porém um não teve sorte
Mesmo antes de nascer
Deus lhe mandou a morte
Os outros quando crescia
Deixavam a terra macia
E na cidade iam morar
Quando o último se ausentou
O meu pai se aposentou
E também deixou o lugar

Mas hoje todos estão vivos
Meus pais e os outros irmãos
Multiplicando a semente
Plantada lá no sertão
Raimundo e Dulcelina
São duas jóias tão fina
Que Deus uniu em um par
Felicidades a eles
E também os filhos deles
Aonde se encontrar

Foi nesse pedaço de chão
Que quando chove é uma delícia
Ali nasceu Severino
Francisquinha e Letícia
Clezuite e delminha
Nini, Teca e Corrinha
Eu, o penúltimo a vir ao mundo
Alcântara o derradeiro
Completando o ciclo primeiro
Da família do Raimundo