vida

O vento vai
o vento vem
o vento avoa
sem direção
assim sou eu
seguindo as linhas
que estão escritas
na minha mão

No pensamento
vou viajando
não pago nada
para pensar
neste momento
sinto alegria
noutro momento
quero chorar

As vezes penso
que tô errado
depois do erro
vou repensar
talvez a vida
não teja errada
mesmo sem erro
posso apanhar

A vida e dura
pra quem não pensa
se fosse mole
não prestará
eu vou driblando
o meu caminho
chutando as pedras
que encontrar

Não me arrependo
de ter nascido
pois deus e grande
e proverá
quando morrer
volto de novo
pra ser eu mesmo
no meu lugar

Se amei alguém
já esqueci
se me amaram
não vão lembrar
pois o amor
puro e verdadeiro
é tão difícil
de encontrar







Estou cantando rimado igualzinho a Zé Limeira


tinha um bando de urubú
em cima de uma carniça
o padre parou a missa
devido um surucucú
em cima do pé de umbú
me deu uma caganeira
sai em toda carreira
porque estava cagado
estou cantando rimado
igualzinho a zé limeira

no dia que me casei
a noiva deu um dismaio
quase que dalí não saio
pela porta que entrei
era domingo de rei
na matriz de mangabeira
um doido de mei de feira
entrou na igreja pelado
estou cantando rimado
igualzinho a zé limeira

meu irmão criava sapo
e fez uma saparia
credo cruz ave maria
me engasguei com um fiapo
meu pai me deu um supapo
bem no pé da cabeleira
vomitei a sala inteira
e fiquei todo vomitado
estou cantando rimado
igualzinho a zé limeira

Lá em pedo querubim
me briaguei com matuta
entrou um bando de puta
a mandado de caim
o finado serafim
deu um pulo da cadera
tirou a roupa inteira
ficou dançado pelado
estou cantando rimado
igualzinho a zé limeira

Já no bar do beradero
o mudo perde a fala
um vei perdeu a bengala
por causa dum bardeneiro
antoi jogou o pandeiro
bem na cara de taveira
começou a bagaceira
até chegar um soldado
estou cantando rimado
igualzinho a zé limeira

um cego pedia esmola
na calçada da igreja
encontrei quatro serveja
dentro de sua sacola
fui expulso da escola
de tanto fazer besteira
discutie com a infermeira
e sai todo furado
estou cantando rimado
igualzinho a zé limeira

Um jumento deu um pulo
por cima da oiticica
perdi o amor  de chica
mas com chica eu não bulo
nesse ano votei nulo
não me culpe a bagaceira
já disse padre vieira
que a Brasil ta acanaiado
estou cantando rimado
igualzinho a zé limeira

Já dizia chico mudo
lá do sítio catolé
pobre toma no tolé
rico compra o canudo
o tucano é bicudo
mais não canta de primeira
quando for no fim da feira
o Brasil é ratiado
estou cantando rimado
igualzinho a zé limeira




Na beira do mar

No meu estado
tem praias tão belas
e as lindas donzelas
com seu requebrado
fica adoidado
quem pôr ali passar
fica a espiar
as coisas bonitas
e as ondas se agita
na beira do mar

A areia é cristal
e a água é azul
do norte ao sul
em todo litoral
só se vê coqueiral
pôr todo lugar
e a água a brilhar
com os raios do sol
e tem pesca de anzol
na beira do mar

Tem lindas morenas
dar cor de canela
as louras são belas
e a pele é serena
o sol não tem pena
da pele queimar
ficam a se bronzear
na areia que arde
e só voltam de tarde
da beira do mar

Tem sorvete, tem fruta
camarão e marisco
bebida e petisco
robalo e truta
até prostituta
se encontra pôr lá
que vão se banhar
e se junta com agente
nada é diferente
na beira do mar

Tem o farofeiro
que leva a família
de fusca ou brasília
e pouco dinheiro
passa o dia inteiro
só a reparar
o rico gastar
se alimentando
e a fome apertando
na beira do mar

O menino corre
e brinca de bola
a pipa enrola
no bêbado de porre
se entrar ele morre
e ninguém vai salvar
se a onda puxar
ela leva agente
para as águas correntes
do fundo do mar

O veleiro passa
e o navio apita
o banhista se agita
com toda essa graça
a baiana que faça
pra gente comprar
caruru, vatapá
pra comer com cachaça
e o dia se passa
na beira do mar

Vem o vendedor
que vende misanga
e a moça de tanga
alegra o vovô
o seu tempo passou
e ele fica a lembrar
começa a chorar
com tanta fartura
o seu mal não tem cura
na beira do mar

Tem água de coco
e cerveja na mesa
tem velha acesa
até briga de soco
tem mudo, tem moco
até jogo de azar
gaivota a voar
e o peixe pulando
a sereia cantando
na beira do mar

Vem o violeiro
que faz poesia
transmite alegria
para o estrangeiro
porque seu dinheiro
ele quer ganhar
e começa a cantar
o gringo não entende
até poesia se vende
na beira do mar

Menino brincando
fazendo castelo
cobrindo o chinelo
de quem ta passando
salva-vidas cuidando
de quem não sabe nadar
que pra não se afogar
e não lhe dar canseira
nem fazer besteira
na beira do mar

Quando o dia termina
vão todos pra casa
ardendos em brasa
cumpriu-se a rotina
se fecha a cortina
e a noite ao chegar
a lua vem clarear
a praia deserta
e os casais se acerta
na beira do mar

Precisamos melhorar o Brasil

Dos meus sonhos futuristas do passado
no presente me decepcionei
juro por Deus que não acreditei
no momento ver tudo transformado
diferente do que tinha sonhado
acaba-se a ilusão do sonhador
de um país que o tempo não mudou
de um presente comandado por bandidos
governantes infiés e corrompidos
retirando do pobre trabalhador

Um país que é rico em cultura
poucos jovens freqüentam faculdade
sitiantes se mudaram pra cidade
Pois ninguém incentiva a agricultura
cada dia que se passa é uma loucura
onde o transito  mata mais  do que a guerra
onde o rico acerta e o pobre erra
e o negro é chamado de macaco
todo dia se aumento o buraco
precisamos cuidar bem da nossa terra

Um pais que é rico até demais
enricando construtoras de renomes
em fim foi mostrado os seus  nomes
dos ladrões da nossa rica Petrobras
ainda bem que o congresso foi atrás
demorou pra isso ter acontecido
espero que eles ganhem o merecido
devolver o que devem a nação
colocar uma algema em cada mão
e pagar pelo crime cometido

Vamos ter que educar nossas crianças
pra que possa ser um homem no futuro
e gozar da liberdade sem ter muro
sem rascunhos de nossas velhas lembranças
retirar nosso Brasil dessas lambanças
sem parar de pensar na ecologia
investir mais em tecnologia
para ser o primeiro desse mundo
retirar da cadeia o vagabundo
pra trabalhar e pagar sua mordomia

Bodega sortida


Tudo que quiser eu tenho
basta só me procurar
focinheira pra cabrito
alça para caçuá
bainha para machado
pote pra leite qualhado
fojo pra pegar preá

Só aqui vai encontrar
as coisas mais atuais
tem pente para careca
roupa para animais
fuso para fazer fio
tem pneu para navio
pra por na frente ou atrás

Das simples as mais banais
qualquer coisa em sempre tenho
motor pra cultivador
moenda para engenho
afinador para berro
caldeira pra trem de ferro
que mostra bom desempenho

O que você pensar eu tenho
daqui para o estrangeiro
óculos de grau para cego
máquina pra fazer dinheiro
Arco para landuar
antes do Japão lançar
aqui já chegou primeiro

Relógio pra beradeiro
que brilha mais que o sol
sal líquido ou em pedra
direto de Mossoró
tenho pau pra toda obra
camisola para cobra
Gravata para socó

Meu produto é o melhor
Só tem coisas de primeira
Passagem pra ir pra lua
Até na classe derradeira
se for mentira Deus me finde
E de quebra leva um brinde
Que é um arco pra peneira

E vendo qualquer besteira
pode vir que aqui tem
verniz pra lustrar barata
cama de ar para trem
esponja pra secar gelo
brilhantina pra cabelo
arapuca pra vemvem


pode procurar que tem
cola para dentadura
camisinha pra jumento
açúcar pra rapadura
massa pra massa cabelo
 tesoura pra cortar selo
comprimido pra loucura

pra quem quer vida futura
vendo terreno no céu
com garantia de Deus
assinado no papel
o contrato é provisório
registrado no cartório
de Joaquim e Manoel

tem cadeira para réu
até telha perfurada
tem tijolo transparente
que fica bom na fachada
e a tinta incolor
seca mais não muda a cor
pois é muito procurada

tenho gesso pra latada
que pode chover em cima
cabo para alavanca
afiador para lima
vendo até no crediário
tem até dicionário
pra quem quer aprender rima